terça-feira, 18 de agosto de 2015

A miopia dos que estão confortavelmente acomodados sobre o machismo

Certo dia, visitando uma das páginas feministas que curto no facebook, vi um meme engraçado a respeito da nova propaganda da Bombril onde era mostrado uma reportagem sobre o tema intitulada: “Propaganda da Bombril será investigada por debochar de homens”, logo abaixo, na breve descrição da reportagem seguia:  “Peça publicitária não foge ao padrão machista da publicidade brasileira, que coloca a mulher sempre como única responsável pelas tarefas domésticas...”. Em tom de ironia e brincadeira comentei que eu estaria, ainda nos dias atuais, na luta pela tal “fuga dos padrões machistas”. Pronto. Sem querer acionei o “Modo defesa” de alguns.
Me questiono se as motivações que levam os indivíduos a travarem “batalhas” na rede são mais relevantes que suas defecadas?! Pode até ser que sejam, mas a certeza aparentemente inabalável com a qual disparam suas verdades rígidas, imutáveis, batidas, e todo o bla-bla-bla de pegar a opinião mastigada do fulano e replicar, é tão ofensivo para a inteligência, quanto para a paciência.
Ante o meu comentário despretensioso, um ilustríssimo responde com um texto onde enumera algumas questões do tipo: “Quando a mulher é traída é coitada, e quando o homem é traído é corno”, “Se a mulher apanha é coitada, se o homem apanha é frouxo” e diversas outras coisas que realmente não valem a exposição, mas que no contexto do texto dele tentava forçar uma denotação onde ele, enquanto homem, se sentia hoje “Vítima do feminismo” que em tudo apoia as mulheres e está de prontidão para julgar e condenar os pobres coitados, homens (por algum motivo, um dia depois, ele apagou seu comentário, e não me recordo do seu nome, bem como não me recordo de cor todas as passagens de seu texto).

Ora meus caros, vamos recorrer aos meios “internetêzes”  e pesquisar rapidamente no Google o significado de machismo antes de seguirmos. Ao fazer isso, na tela inicial do Google já é exibida em destaque a seguinte definição:

“machismo1
substantivo masculino
1 qualidade, ação ou modos de macho ('ser humano', 'valentão'); macheza.
2 infrm. exagerado senso de orgulho masculino; virilidade agressiva; macheza.
3 comportamento que tende a negar à mulher a extensão de prerrogativas ou direitos do homem.”

Mais abaixo, no site do dicionário Michaelis encontramos a seguinte definição:

machismo1
ma.chis.mo1
sm (Mach, np+ismo) Empiriocriticismo.

machismo2
ma.chis.mo2
sm (macho+ismo) 1 Atitude ou comportamento de quem não admite a igualdade de direitos para o homem e a mulher, sendo, pois, contrário ao feminismo. 2 pop 
Qualidade, ação ou modos de macho; macheza, machidão.

Pesquisemos agora o significado de feminismo. Em destaque no Google aparece:

feminismo
substantivo masculino
1 doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade.
2 p.met. movimento que milita neste sentido.
3 p.ext. teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos.
4 p.met. atividade organizada em favor dos direitos e interesses das mulheres.
5 interesse do homem pela mulher; atração.
6 med p.us. presença de caracteres femininos no homem.

E também no site do dicionário Michaelis:

feminismo
 
fe.mi.nis.mo 
sm (lat femina+ismo) 1 Sociol Movimento iniciado na Europa com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos políticos e sociais de ambos os sexos. 2Feminilidade. 3 Med Presença de caracteres femininos nos homens.

Note que na definição de machismo dada pelo Michaelis é citado que o machismo é contrário ao feminismo, e para que não fique dúvida, para chover no molhado, e declarar o óbvio, perceba que ser contrário não significa ser o oposto, e sim ser contra, pois o machismo prega a superioridade masculina, enquanto o feminismo luta em prol da equiparação dos direitos dos gêneros, logo, o feminismo também é contrário ao machismo, mas não o oposto, já que não prega a superioridade feminina.
Sabendo disso, de ambas as definições e sua etimologia, posso destacar ainda que em nenhuma das definições apresentadas foi dito que tais comportamentos/ideologias são exclusivamente praticados pelo humano macho ou fêmea, sendo assim não raro nos deparamos com mulheres machistas e homens feministas (um tanto mais raro).
Ao caro ilustríssimo autor do texto em resposta ao meu comentário, fica meu “Sinto muito”, mas você não é “Vítima do feminismo” você é também vítima do machismo.
Ao longo dos anos os homens criaram padrões de comportamentos irreais: Homem não chora, não expressa seus sentimentos, não sofre, não pode ser frouxo, não pode broxar, não pode ter medo ou se sentir inseguro, não pode recusar sexo (pois se é mulher, tem buceta e tá oferecendo, tem que comer), não pode, não pode, não pode, pois homem que é homem se comporta assim, senão é viado, comparável (em sua cabeça animal) as fracas e inferiores mulheres que lhes devem serventia doméstica e sexual.
Esse comportamento que tende a padronizar o que cabe a um homem (ou mulher) ou não, foi extirpando dos homens sua racionalidade, seu potencial de escolha, seu arbítrio, o limitando a seus instintos, tentado mediocremente justificar a descontrole sobre seus desejos. Ao colocar o homem no nível de “animal” o machismo o despe de sua humanidade.
 Desde a educação pecamos no que se refere ao ensino sobre a equidade dos gêneros. As meninas de hoje são educadas para serem tudo o que suas bisavós (não todas obviamente) não foram, inteligentes, críticas, racionais, competentes profissionalmente, independentes financeiramente, competitivas, etc, além de serem capazes de manterem seus próprios lares; Mas vejam só! Esqueceram de avisar aos meninos. Esses por sua vez são criados aos moldes de antigamente. Não é difícil depararmo-nos com um adolescente que replique o discurso de ódio, que apreendeu em casa e no seu convívio em sociedade, contra a mulher que faz o mesmo esporte que ele, ou que é melhor que ele em mecânica, por exemplo, ou que tenha sua sexualidade bem resolvida. Não é preciso ser gênio para saber que sim, há e haverá conflitos a esse respeito. Então, ilustríssimos, antes de tentarem travar batalhas se posicionando como pobres coitados, aprendam a identificar o que é machismo e saiam de suas confortáveis acomodações sobre ele para que possam, como humanos conscientes e observadores, enxergar que ainda que repreensões machistas (que na verdade são só a ponta do iceberg pois o machismo vitimiza mulheres diariamente) partam das mulheres, que oprimidas reproduzem o comportamento do opressor, o feminismo nada colabora com isso. Isso é um problema de cunho machista, contra qual o feminismo luta.




domingo, 22 de fevereiro de 2015

Cheios de Vazio


Entre sorrisos arquitetados, e poses planejadas, entre uma selfie e outra vai sendo construída a imagem do ideal, com sua beleza montada, frases motivacionais e a exposição contínua de todos os corriqueiros eventos do dia-a-dia. Passa-se tanto tempo conectado, fotografando, editando, compartilhando que a essência de diversos momentos da vida é suprimida em detrimento dessa conexão constante e da contínua construção da imagem virtual enquanto o outro - amigos, filhos, companheiros - vão ganhando aos poucos um papel de figuração em fotos, postagens e na vida.
Vamos trocando encontros por reuniões no skype e as valorosas conversas despretensiosas regadas a álcool e exasperações por chats e emoticons. Ahh como é cansativo forjar essa imagem perfeita cuja recompensa exclusiva é um somatório de “likes”! Como é decepcionante encontrar uma figurinha “Cool” e em menos de 15min de conversa descobrir que aquele ser se resume a um inconsciente replicador de conteúdo mastigado via compartilhamento. Como é irritante estar com gente que mesmo nas horas de folga não desconecta, não se integra de fato e se mantém “ali” em corpo mas com a mente e a atenção no grupo do WhatsApp do trabalho.
Passamos a um estado de latência, dormência e por fim insensibilidade. Não ligamos, ou melhor, não percebemos se há gente (de verdade) a nossa volta. Não escutamos quando somos questionados ou quando simplesmente nos cumprimentam com um caloroso “bom dia!”. Não damos importância se a casa está pegando fogo (a não ser que essa possa ser fotografada e compartilhada com uma intragável “Hashtag” #PartiuSeiláoque). Vamos rindo sozinhos, nos descontraindo com memes, e perdendo a hora de pegar o filho na escola...

Em contrapartida nada nos consola. Nada nos preenche. Nada nos completa. Vai se abrindo um buraco no peito, uma fenda na alma, e uma falha no caráter. Não vemos maldade nesse tipo de comportamento, mas não conseguimos explicar a infelicidade decorrente deste. É como a dependência de drogas, só nos identificamos como “zumbis tecnológicos” em casos extremos... Ademais seguimos, solitários, infelizes, desconectados de amigos e família, incapazes de manter um diálogo (cara-a-cara) relevante, insensíveis e virtualmente perfeitos. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

E-readers. Adotá-los ou não? Eis a questão!

Através dos avanços tecnológicos diversas atividades rotineiras foram adaptadas e facilitadas a partir do desenvolvimento de dispositivos que objetivam dinamizar tais atividades. Com os livros não seria diferente. É bastante comum o questionamento referente à relevância dos e-readers e também quanto a preferência de leitura em livros físicos (impressos em papel) e a leitura nesses e-readers, dispositivos eletrônicos que dispensam a impressão e permeiam a leitura das obras no formado digital de forma bastante prática e confortável em praticamente qualquer lugar sem depender do uso de um computador convencional.
Alguns fatos envolvendo esses equipamentos ainda deixam muita gente em dúvida no momento de optar pela utilização dos e-readers. Ainda que muitos estejam adaptados a leitura de arquivos digitais no computador nem sempre está claro o porquê nos e-readers a experiência é diferente ou ainda, dependendo do objetivo particular de cada um, o porquê talvez não sejam a melhor opção. 
Há um “mito” de que os leitores digitais devam ser capazes de ler qualquer tipo de arquivo digital sem que hajam problemas, principalmente livros no formato PDF, fáceis de conseguir gratuitamente na internet, mas evidentemente esses equipamentos apresentam limitações bastante óbvias a esse respeito. Os dispositivos de leituras de e-books (livros digitais) são dispositivos de leitura de e-books específicos! Nesse momento você deve estar se perguntando: Mas como assim? Então vamos deixar as coisas claras:
O PDF, formato desenvolvido pela Adobe System, apesar de ser um “Portable Document Format” (documento de formato portátil) tem um sistema de funcionamento diferente dos e-books nativos de cada dispositivo de leitura. Digamos que esses aparelhos aceitam o PDF para “quebrar um galho” devido a sua grande popularidade, não muito além disso, portanto a exibição de um PDF em um e-reader geralmente é bem ruim e ainda que seja feito pelo aparelho não é muito interessante para a leitura de livros inteiros.
 Em praticamente todos os leitores observa-se uma lista bastante extensa de formatos de arquivos que os equipamentos aceitam, mas aceitar não é o mesmo que apresenta-lo de forma adequada. Peguemos como exemplo o Kindle da Amazon, um dos mais famosos e que basicamente criou e popularizou o conceito e a tecnologia e-reader. Seu formato nativo é o AZW, praticamente todos – senão todos – os e-books legais e originais distribuídos pela Amazon tem esse formato, que por sua vez se adequa tão perfeitamente ao equipamento que supera muito os livros físicos em termos de praticidade e recursos nativos, como tradutor, dicionário instantâneo, regulador de preferência de tamanho de letra e margens, exibição do tempo médio de leitura do capítulo e do livro inteiro, anotações, aquisição de livros a partir do aparelho e download automático do livro escolhido para o aparelho sem necessidade de ligá-lo com cabos a nenhum computador, etc. O Kindle, e-reader do nosso exemplo, também se adequa perfeitamente a outros formatos como MOBI, HTML, e TXT, oferecendo os mesmo recursos em todos esses formatos citados, e os apresentando de forma bastante adequada à leitura.
Mas não se iluda esses dispositivos, não apenas o Kindle, não foram feitos para findar todos os seus problemas, ou disponibilizar uma infinidade de possibilidades para quem não quer gastar nada com livros e está afim de entupir o aparelho com quantos PDFs baixados puder dando aquele “jeitinho brasileiro” colocando no pobre coitado uma infinidade de arquivos que nem sempre são confiáveis, tanto no que se refere a conteúdo, quanto no que se refere a integridade de arquivos. Vivemos num mundo capitalista e convenhamos, vender livros digitais reconhecidos em leitores digitais também vendidos pela empresa em questão é uma boa forma de lucrar alto e manter a distribuição de direitos aos respectivos autores, ainda mais quando se concentra o maior público especializado do mundo em um dado site no intuito de fazer justamente isso, vender livros.
Nesse caso podemos observar que para as corporações o e-reader torna-se apenas o meio que facilita o fim, a venda de e-books. Para os usuários este aparato tecnológico também deve ser julgado como um meio para a finalidade de consumir e ler conteúdos que se adaptem aos recursos específicos do aparelho. Há no mercado programas de computador que são capazes de realizar a conversão de arquivos para os formatos aceitos pelos e-readers, mas nem sempre o resultado é o esperado, principalmente quando o arquivo a ser convertido é PDF originado do scanner de páginas que em suma são compiladas no formato de imagem. Portanto, se sua finalidade está voltada para a exibição de conteúdos que vão muito além dos já citados até aqui, ou exclusivamente PDF, não julgo ser uma boa opção, já que obviamente o equipamento não foi desenvolvido para isso.

Enfim... Os e-readers infelizmente não são a pedra da salvação para os indivíduos que não querem pagar nada pelas obras, são mais uma alternativa para o CONSUMO de livros, que quando feito de acordo com o especificado e comercializado pelo fabricante apresentam desempenho satisfatório além de valores bastante acessíveis. Para você ler de forma eficiente seus incontáveis PDFs recomenda-se os computadores ou tablets (mas esteja disposto a arcar com a limitação da bateria), o que não ocorre nos e-readers. Por fim, se você não gosta de ler no computador ou tablet, não está nem um pouco afim de comprar livros digitais ou fazer conversões de formato de arquivos em alguns programas para não arcar com o custo dos e-books a opção é: Permaneça com seu livro físico, que é atemporal e com certeza perdurará ao longo dos anos.  



quinta-feira, 12 de junho de 2014

Adeus Vôzinho...

Há quem não suporte mensagens póstumas, e eu sou uma dessas, mas o que se há de fazer quando escrever é a única forma de externalizar todo sofrimento entalado no peito e banhado com o salgado das lágrimas?
Somos uma família enorme, com direito a papais, mamães, titias, titios, irmãos, irmãs, primos, primas, vovó, vovô, bisavó e bisavô, e acima de tudo unida. Não, não uma união forçada por reuniões chatas e “obrigatórias” que algumas famílias costumam realizar. Uma união que transcende o próprio significado mesmo quando há divergências de opiniões e interesses, pois estamos falando “dos meus”. É visceral! Cultivada com muito carinho ao longo de nossa própria constituição como pessoas, e natural como respirar. Somos alegres e garridos, preocupados e calorosos, passionais e perseverantes... E nunca antes, eu, enquanto membro desta família, havia sofrido nada parecido, nenhuma perda de tamanha proporção.
Nessa quarta-feira calamos, e unidos na dor nos despedimos do meu vozinho Ademar, o patriarca amado, corado e resmungão; nos despedimos dos beliscões nas coxas, das confusões de chamamento: “Tainara, não, Taise, não, Taiane, não... Carmen Lúcia Piquena!”, do célebre e respeitoso “Bença vô!” e sua leve levantadinha na aba do boné em resposta: “Deus te abençoe!”, de suas adivinhas, das jogatinas de dominó  e cafezinho da tarde em sua presença, do seu riso franco... Enfim.

Nesse momento, a efemeridade de algumas preocupações cotidianas revela-se tão proeminente, que me sinto até culpada por tê-las. Nesse momento, ainda que unidos em espírito, a dor é absolutamente solitária, peculiar, e devastadora. Cada um a seu modo sentiu a partida. E finalmente hoje,quinta-feira, dia marcado pelo início da copa do mundo no Brasil, boa parte do país estava em festa, e foi nesse clima, um misto do negro ao verde e amarelo das ruas, que rumamos pesarosos e silenciosos ao sepulcro do meu vozinho. Muita, MUITA gente nos acompanhou nesse que, sem sombra de dúvidas, foi o trajeto mais difícil de nossas casas até a pracinha, e por fim dissemos “Adeus” ao meu vozinho, que a exemplo dos carnavais, nos deixou em uma quarta feira cinza.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A Ignorância, a violência e a "justiça" sem lei

Medo. É dessa forma que posso definir o estado de espírito de muitos Brasileiros atualmente. Todos os dias ao ligarmos a televisão ou abrirmos os jornais podemos acompanhar rastros de sangue, ódio e ignorância. Nunca, desde que me entendo por gente, foi tão comum o linchamento em praça pública, o “justiçamento por conta própria”, sem que sequer sejam avaliados fatos, provas, ou quaisquer que sejam os dados relevantes durante essas “inquisições” populares. Não. Bastam acusações, ignorância, ódio, violência e determinação para que qualquer um, repito: QUALQUER UM possa vir a ser vítima desta barbárie.
O caso mais recente, o linchamento de Fabiane Maria, acusada injustamente em uma página do facebook de sequestrar e utilizar crianças em rituais satânicos, a levou a morte. O fato é chocante não só pela sua boçalidade intrínseca, choca também pelo que pode-se inferir ser uma execrável tendência do brasileiro à fofoca, à disseminação irracional e infundada de factoides escusando a verificação e confiabilidade das fontes, bem como à intolerância e ódio igualmente infundados.
 Mediante a todas as recentes notícias de violência, me vem à mente, quase que instantaneamente, a história do livro de Eric Arthur Blair mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell, “1984”. Nele o autor descreve uma sociedade controlada pelo medo, onde mesmo a realidade é manipulável, não a realidade propriamente dita, mas como percebida pelos indivíduos, que por sua vez (em sua maioria) “engolem” o que lhes é passado através da “tele-tela” sem se importar com a coerência, cronologia ou veracidade, pois a tele-tela difunde uma “realidade” ditada pelo “Grande Irmão”, e os indivíduos por sua vez  concebem “o real” por meio dela. 
Salvas as devidas proporções, não há como não fazermos relações entre os ocorridos recentes e a obra escrita no ano de 1948, principalmente no que tange ao medo, a manipulação e até mesmo criação de “notícias” que por sua vez são largamente aceitas pelas massas que passam a tê-las como “verdade”. Esses excessos de indignação, dignos da idade média, que infelizmente vemos estampar nossos jornais atualmente, me remetem ao que no livro é chamado de “minutos de ódio”, onde toda a raiva, indignação, violência, etc, são canalizados a um único personagem, o “Goldstein”. Basicamente é isto que acontece, toma-se conhecimento do ocorrido através de uma única luz, sem que as origens e/ou causas motivadoras sejam levadas em consideração. Hoje, ouso dizer, que os bandidos no Brasil estão na posição do “Goldstein”, ninguém se importa com sua história ou quais mazelas sociais o levaram a ser um marginal, nem se são gente. Se não estão de acordo com a lei, estão sujeitos ao “minuto de fúria popular”. 
No livro, assim como “Goldstein”, co-fundador do partido do “Grande Irmão” foi largamente rejeitado sem que os indivíduos tomassem conhecimento dos reais motivos, as pessoas hoje cada vez mais alimentam um ódio irracional e “contagioso” sem olhar em volta, sem perceber o ambiente em que vivem, direcionando sua revolta aos “bodes expiatórios” frutos das diversas desigualdades sociais enquanto engolem informações mastigadas para não darem-se o trabalho de pensar, avaliar e ponderar.
Pois bem, colhe-se hoje no país, os prejuízos oriundos de negligências históricas, e que vieram explodir com toda força nos noticiários, e nas nossas caras indiferentes (até então). Para frente? Espera-se ao menos que se pense não somente em paliativos, mas principalmente efetivamente e em longo prazo ao serem tomadas providências, caso contrário poderemos estar seguindo uma perigosa trilha, até então descrita somente na história e na ficção.     
  


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Um diálogo com o espelho...

 Simplesmente não há por onde começar...

Você dedica toda uma vida para viver em harmonia com a pessoa que você escolheu para ficar do seu lado, e de repente não compreende mais onde você foi parar. Se percebe sem identidade, e sem nenhum daqueles ímpetos, até meio inconsequentes que definiam parte de sua personalidade. E como muito já foi investido nessa relação, dias, meses, anos, décadas, você vai deixando passar, quem sabe seja mais uma fase, quem sabe a outra pessoa perceba que talvez o sentimento de tédio e de estar convivendo com um estranho seja recíproco e tente conversar para ajeitar as coisas. Então passivamente e conscientemente você vira espectador da própria vida, assistindo-a passar diante dos seus olhos esperando, e esperando que algo ou alguém decida melhorar as coisas pra você. NÃO FUNCIONA!
Uma bela manhã você acorda e se depara com seu reflexo no espelho se perguntando: “Quem é este refletido?”, e a resposta não lhe vem. Não há como resgatar a essência há muito esquecida, anulada, confiada a outrem que talvez pensasse exatamente como você, e confiasse a você a responsabilidade de sua felicidade ou infelicidade, e constata, por fim, haver dois estranhos convivendo sob o mesmo teto (e você é um deles), com aspirações até muito parecidas,  mas desprovidos de todo aquele vigor pelos quais se apaixonaram e o qual os levou a estarem juntos. Nessa bela manhã você decide avaliar mais profundamente onde e por que está “existindo” e não vivendo, e decide não esperar mais iniciativas de terceiros para que reativamente você tome as suas próprias. E ISSO DÓIIII! SANGRA... FERE... CONSOME...
Você passa a identificar toda a indiferença existente entre vocês, toda a cordialidade construída sob os alicerces do hábito, a banalidade incomodativa disfarçada de intimidade, os contatos vazios e condizentes com o “protocolo” imaginário da relação: Abraço “protocolo”, Beijo “Protocolo”, Desnudamento “Protocolo”, Sexo “Protocolo”...   E ESSE VAZIO RASGA... QUEIMA... INUNDA...
Então você parte para uma abordagem de reconstrução, busca compreender onde erraram, onde perderam o laço que os ligava, onde deixaram as convenções suprimir o sentimento que compartilhavam, onde esqueceram a admiração que sentiam um pelo outro... E dá-se conta que não sabe... Não sabe como, Por quê, ou Quando... Você não é mais o que costumava ser, nem sequer o que acreditava ser é.
Apegado a uma esperança sobre-humana determina que o melhor seria então conversar com a pessoa que durante todo esse tempo esteve compartilhando o tempo em si com você, e qual é a surpresa? Ela está tão aprofundada em seu labirinto particular, em suas emoções individuais, e seus almejos desconectados do outro, que pouco entende aonde você quer chegar, “por que todo esse alvoroço em torno do que sempre foi assim?”... Louco de raiva, contaminado por uma exasperação que você não saberia relatar qual fora a ultima vez que se sentira assim, inesperadamente se percebe VIVO... Capaz de sentir... A raiva desencadeia uma enxurrada de pensamentos em torno de suas emoções, e as distinções tornam-se relativamente mais fáceis e assim, toda aquela indiferença, todo aquele calor aconchegante da sua zona de conforto, dão lugar a uma chocante e arrebatadora percepção: VOCÊ É INFELIZ!
Quanto avanço! Da insensibilidade à torrente de informações e possibilidades sentimentais!
Eis que então a sua mente lhe prega uma peça! Justamente quando você decide se reencontrar, sua mente insiste em lhe dizer que aquela pessoa ali, aquele estranho deitado do seu lado, tem em algum lugar, em algum canto obscuro, em algum remoto recôncavo, em algum poro, aquela essência, aquele vigor, aquela beleza mágica que em tempos pretéritos ocupava todos os lugares quando estava juntos, e lhe tirava o ar. Aquele estranho deve guardar todo aquele carinho que direcionava a você em um esconderijo, a salvo, por algum motivo. Aquele estranho diz que tem “sentimentos” por você. Esse estranho deve saber o sentido de “sentimentos”... Será que partilha dos seus “sentimentos”?...
Abre-se então a porta para a incerteza, tal como se supõem que deveria ser quando falamos de pessoas e não de máquinas. E essa incerteza DILACERA... REBENTA... AFOGA... Então você espera... espera... espera... espera... e espera algum sinal, algum mínimo lampejo de amor, alguma centelha de afeto, alguma nesga de importância. Questiona-se se não estaria sendo precipitado, se não deveria tentar ajeitar as coisas pela enésima vez?!


Vocês conversam...
Sem muitos “mas” nem “por que” determinam que se “amam”! Que a convivência é difícil, que o dinheiro é curto, e que as responsabilidades são demasiadamente onerosas... Riem. Lembram-se de coisas que faziam no passado, das loucuras imprudentes, do sexo... ahhh o sexo...   Têm uma tórrida noite de amor!
Na manhã seguinte é diferente. O beijo não é protocolo, o abraço é dado com emoção, o sorriso vem carregado de verdade, uma verdade tão poderosa que transcende o sentido do sorriso, pois esse exibir de dentes carrega consigo todas as possibilidades do novo, a condensação de todo sentimento ali implícito, imprime nos lábios a felicidade, e nos olhos o amor.
Com o tempo, tudo vai voltando ao normal. A convivência é difícil, e as contas? Xiiii as contas! Essas não param de chegar. Tem-se pouco tempo pra tudo, e fazem muitas coisas para nada. E então ressurgem as conversas rápidas e educadas. O cansaço do dia inteiro de trabalho, estudo, trânsito, qualquer coisa, não deixa muita disposição no fim do dia. Então ressurgem os beijos protocolo. Aos poucos vão somando-se desculpas, responsabilidades, tudo e nada...  E em uma bela noite você olha para o lado, enquanto aquela pessoa se despe como se você não estivesse ali e em um breve momento de lucidez você se pergunta: Quem é esse estranho? Quem sou eu?


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Enquanto isso, em Santa Catarina...



Enquanto o sistema se estratifica cada vez mais, criando posições largamente aceitas de superioridade e inferioridade, política, social, econômica, cultural, etc, esquecendo de tratar as pessoas como tal, e sim como joguetes manipuláveis para obtenção de mais e mais poder e “dinheiro”, a falta de equidade de maneira geral cria anomalias que condicionam as pessoas (humanos) a situações de risco, ou no mínimo inadequadas, e dão a isso o nome de “sociedade”...
 Em SC hoje o que se observa é uma total falta de controle sobre as ações de criminosos filiados a alguma facção criminosa, ou com alguma “dívida” para com essas, funcionando de forma mais eficaz e organizada que os próprios órgãos governamentais, pois diferentemente desses órgãos, não são regidos por nenhuma norma que determine por quais processos burocráticos precisam passar para queimar um ônibus ou ameaçar a vida de milhares de pessoas, tão pouco precisam lidar com os delicados ditames dos “Direitos humanos”.  E o que é de espantar é a potencial conivência dos governantes para com essas ações, assim como seu total desprepara para lidar com essas, passando a se portar como reféns de chantagens.
Também é notável que na era da “informação”, a exploração do tema por veículos midiáticos, diariamente, vêm reforçar o medo às massas, e muitas vezes trazem opiniões prontas e deturpadoras a respeito do assunto, focando nas conseqüências e não nas causas primordiais (não essas imediatas e paliativas que visam “Por a culpa em alguém”).
Há criminosos? Sim! Por quê? Eles nasceram assim? Ou foi por uma série de fatores e abandono social, e condições desaparelhas que os levaram para tal caminho? O problema está na base meu povo! E salvo degenerações psicológicas graves, o ambiente influencia de forma significativa o desenvolvimento dos humanos, mas admitir e modificar o “ambiente” é MUITO mais complexo que simplesmente culpar a polícia, a Canasvieiras, a prefeitura, e os bandidos...
Você, assim como eu, num primeiro momento deve pensar “Nossa, mas isso é uma defesa clara aos bandidos!”, Não! E de certa forma, sim!... Como cidadã, inserida na sociedade tal como conhecemos hoje (é... isso ai... essa coisa desigual, cheia de noções de “politicamente correto”, mas no fundo meio amoral), me choca a possibilidade de ter que me locomover e deparar-me com bandidos prestes a incendiar o ônibus no qual estou, arriscando a minha vida e as dos demais passageiros, assim como depender do transporte coletivo da cidade (que por si só já não é bom), e ter que encarar que o “não bom” ficou pior ainda por conta de redução de horários e falta de escolta policial! E por conta disso sou levada ao desejo comum: “que os responsáveis por essa situação paguem por seus atos”... Não só criminosos... Governantes também... E Nós... Bem... Cidadãos... Nós já estamos pagando, bem caro, diga-se de passagem!  Mas como gente, não consigo pensar só no resultado meus caros... Na falta do seguro dos ônibus, em quanto o rendimento do comércio diminuiu, e em quantas pessoas estão atrasadas para seus trabalhos, me frustra algo muito mais grave: “Por que essas pessoas estão onde estão?”, “Por que há tantos menores participando dessas ações?”.  Aí chovem teorias de “livre arbítrio”, “direito de escolha”, ” país livre”, etc... Mesmo? Sério? Se acredita mesmo nisso?
No fim das contas esse “negócio lucrativo”, o da política (essa tida por muitos, através da ótica de uma difundida rotulação, como fonte de descrença), colabora para a manutenção do sistema exatamente como o conhecemos, e geração de mais e mais marginais, também a “democracia” que confere aos “cidadãos” status de mais bem sucedidos de acordo com os bens que esses são capazes de adquirir, proliferando então a desigualdade, a marginalidade e a falta de controle sobre essas entidades que quando confrontadas revelam a fragilidade desse tal “sistema”.  
E não... Só o seu voto não faz nenhum milagre, é só mais uma obrigação democrática pela qual você deve passar para colaborar com o sistema, e ajudar a mantê-lo exatamente do jeitinho que ele está!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Qualidade de imagem: Será que os japoneses nunca se cansam de inovar?



Minha experiência trabalhando em uma das maiores fabricantes de TV’s do mundo (japonesa), acabou despertando em mim gosto pela tecnologia (vídeo e áudio). Sendo assim, ao ver anúncios, como os que em breve relatarei, não me contenho em fazer indagações e projetar a possível aplicação da tecnologia.


Foi anunciado ontem, o protótipo do televisor da Sharp com a maior resolução do mundo. O televisor suporta 7680×4320p resolução intitulada de SUPER HI-VISION (que correspondem a 33 MegaPixels, 16x o Full HD).

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Feliz dia das Mães


"O Dia das Mães também designado de Dia da Mãe teve a sua origem no princípio do século XX, quando uma jovem norte-americana, Anna Jarvis, perdeu sua mãe e entrou em completa depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória da mãe de Annie com uma festa. Annie quis que a homenagem fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas. Em pouco tempo, a comemoração e conseqüentemente o Dia das Mães se alastrou por todos os Estados Unidos e, em 1914, sua data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson: dia 9 de Maio.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Revolta e Condolências


Não posso passar aos fatos de olhos fechados, e por isso, hoje, deixo a vocês, com muito pesar, um relato de revolta e indignação referente aos ocorridos dessa manhã.  Segue:


Eu sou mãe!

Hoje de manhã, foi divulgada em rede nacional a insanidade que ocorreu na Escola Municipal Tasso da Silveira com capacidade para 1250 alunos, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Até onde isso é relevante?"



Estava eu rodando alguns sites aleatórios, e algumas redes de relacionamento, quando me deparei o texto de uma amiga a Laís (http://www.fotolog.com.br/herodia/24649773) , que aborda um tema tão antigo, mais ainda sim tão atual. Quando fui escrever uma resposta para ela, me peguei divagando por assuntos paralelos mais ainda sim correlacionados, e que deram origem ao texto que segue:

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Percepções...

... E assim começa. Num nível normal, ou tão normal quanto o possível no que tange às vivências, e o cotidiano, dentro de certos parâmetros. Arquétipos convencionais sociais, que com o passar das horas, dias, anos, foram adquirindo tons de cinza, uma conotação meio morta, seguida por feitos automáticos, e desprovidos de qualquer emoção, abrangendo até mesmo as relações pessoais mais íntimas. Mesmo o prazer passou a ser premeditado, repetitivo, sem graça.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

iPad... A febre da mídia não é tudo isso...

É fato! O iPad é a nova febre da mídia voltada à tecnologia! E cá estou eu inaugurando o blog com uma contribuição singela a mídia do novo aparelho da marca da maçã.
Depois de ler, e reler inúmera notícias a respeito do novo "brinquedinho" da apple, o iPad, com lançamento do modelo sem suporte 3G previsto para fim de março nos EUA e em alguns países selecionados, não há como chegar em outras conclusões...